Há 80 anos
Santistas assistem ao primeiro filme “falado” no Cine Teatro Coliseu
Dá pra imaginar como foi esse acontecimento na cidade? Vamos analisar... O cinema era uma das grandes atividades de lazer da cidade desde os primeiros anos do Século XX. O povo formava filas para assistir aos filmes italianos, franceses, os norte-americando e principalmente dele... Carlitos! Quantas crianças e adultos se divertiram à beça com o personagem criado por Charles Chaplin, projetado de forma hilariante e silenciosa nas grandes telas dos cinemas que povoavam as principais ruas da cidade, como a agitada XV de Novembro, a Amador Bueno, o Largo do Rosário, enfim, Santos tinha cinema pra tudo quanto era lado. O santista gostava tanto da coisa que, em 1930 a cidade foi considerada a que mais tinha salas por número de habitantes no Brasil. |
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Voltando a um ano anterior, em 28 de setembro de 1929, estamos diantes de uma acontecimento único. Imagine o burburinho que foi a primeira exibição “falada” na cidade cinéfila. Veja alguns trechos da reportagem do jornal A Tribuna do dia seguinte:
“Pode-se dizer, sem eufemismo, que a inauguração do cinema falado (movietone e vitaphone), ontem, no Coliseu, constituiu um verdadeiro acontecimento mundano, estando presentes os mais representativos elementos sociais de Santos. O aspecto do luxuoso e vasto teatro, em ambas as sessões, era imponente, achando-se repletas as localidades. Muito antes do início da primeira sessão, havia uma enorme multidão que se acotovelava diante da bilheteria e do vestíbulo, ansiosa pela novidade que acaba de revolucionar a chamada cena muda. O mesmo fato se repetiu antes do começo da segunda."
“Não foram excessivos os anúncios encomiásticos de que vem precedida a aparição do filme sonoro. Roça pelo domínio do maravilhoso a invenção do movietone, prodígio de meticulosidade, segurança de técnica e perfeita sincronização. Desde que a sala escurece e a projeção luminosa enche de formas semoventes a tela branca, uma estranha música flutua no ar, e as vozes dos atores que surgem no écran começam a fazer ouvir-se, reproduzindo o sotaque, as inflexões individuais, a maneira arrastada ou rápida da pronúncia das palavras de cada um."
“As figuras na tela adquirem um relevo extraordinário. Cantam, choram, soluçam, gargalham, batem palmas, assobiam... Ouvem-se os passos que se aproximam ou se afastam, as portas que se abrem e se fecham, o arrastar de cadeiras e até o estalar dos lábios que se beijam... Em Broadway Melody, que ontem vimos verdadeiramente encantados, pouco falta para nos dar a ilusão do velho teatro “ao vivo”, pobre soberano hoje destronado."
“Em suma, o cinema falado é, atualmente, uma radiosa realidade tangível em Santos. O sucesso da sua apresentação deve-se, em grande parte, à maneira inteligente com que a empresa soube conduzir até o belo coroamento de ontem, a intensa propaganda feita por meio de réclames bem lançadas."
Na página acima, o anúncio publicado no jornal A Tribuna em 28 de setembro de 1929, onde pode-se ler no alto:
Ao distinto público de Santos
A Empresa Cine Teatral, que tem dado sobejas provas de seus múltiplos esforços para sempre bem servir o público de Santos, sente-se, hoje, orgulhosa por cumprir fielmente a promessa que fez, há tempos, cuja promessa se prendia à instalação dos aparelhos de cinema falado, na sua melhor casa de espetáculos - Teatro Coliseu.
Tardou um pouco, na verdade, essa promessa. Isso se justifica cabalmente pelo desejo da Cine-Teatral, em querer apresentar ao público aparelhos que correspondessem perfeitamente à expectativa de todos quantos aguardavam, ansiosos, essa promessa.
Assim é que adquiriu os possantes aparelhos da Radio Corporation of America, que, na opinião dos entendidos, são os mais perfeitos e os mais completos existentes nos mercados cinematográficos do mundo. Mas não ficam somente aqui os desejos da Cine-Teatral.
É também seu pensamento que, o segundo desses mesmos aparelhos que venha a instalar, será em um dos cinemas populares e com o fim exclusivo de proporcionar à laboriosa classe operária de Santos as maravilhas dessa prodigiosa invenção, em espetáculos a preços verdadeiramente ao alcance de todos.
M. Freixo & Cia. Ltda. |