Há 140 anos
7 de setembro de 1869

Artista de circo manda fazer lápide para o Patriarca da Independência

Os restos mortais do ilustre santista José Bonifácio, patriarca da Independência do Brasil, nem sempre estiveram como estão hoje, descansando solenemente num Panteão em homenagem não só a ele, mas também aos irmãos Andradas: Martim Francisco e Antônio Carlos.

Logo após sua morte, ocorrida na cidade fluminense de Niterói, em 6 de abril de 1838, Bonifácio foi levado para o Rio de Janeiro, onde ficou por três dias na Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, até que sua filha, D. Gabriela Frederica Ribeiro de Andrada, o trouxe de volta à terra natal, sepultando-o na capela-mor da igreja de N.S. do Carmo, a santista, segundo expressa recomendação testamentária. E assim, por 30 anos os despojos de Bonifácio ficaram por lá, esquecidos de todos, sem ao menos uma lajezinha para proteger o túmulo de figura tão ilustre da história brasileira. Um dia, porém alguém resolveu mudar essa situação.

Antônio Carlos do Carmo, um modesto artista circense de passagem pela cidade, conhecedor da história dos Andradas, decidiu visitar o lugar onde jazia sepultado o herói das histórias que ouvia na infância. Ao testemunhar o estado de abandono que se encontrava o túmulo do Patriarca, se indignou. Revoltado com o descaso, pediu permissão aos frades carmelitas para colocar uma laje de mármore que cobrisse o túmulo, tudo às suas custas, com o pobre salário de artista que percebia em suas apresentações pelas cidades por onde passava. E assim ocorreu. Nesta pedra, o modesto artista mandou escrever:

“Aqui jaz o Patriarca da Independência do Brasil, grande e desinteressado patriota, distinto cidadão, José Bonifácio de Andrada e Silva. Tributo à virtude, honra ao mérito pelo artista A. C. do Carmo. Santos, 7 de setembro de 1869”.