Há 50 anos
23 de outubro de 1959
Começa a demolição do Hotel Internacional no José Menino


Versão digital do Hotel Internacional feita pelo artista gráfico Eduardo Fernandes

Era uma manhã cinzenta de sexta-feira. Os habitantes do pequeno, mas crescente bairro do José Menino começavam a testemunhar o fim de uma longa história de glamour e decadência.

Era o dia em que iriam começar os trabalhos para botar abaixo o velho e histórico Hotel Internacional, o primeiro construído na região da praia.
Muitas pessoas foram assistir o vai-e-vem dos operários de demolição. Alguns deixavam rolar as lágrimas, misto de tristeza e saudade antecipada. Outros comemoravam o fato e enxergavam na duplicação da avenida que por ali passava, um futuro próspero para o bairro.

A grande justificativa para derrubar o Hotel Internacional era justamente a necessidade de atender a cada vez maior demanda de carros que a cidade apresentava. Já eram tantos que começavam a criar embaraços no trânsito. Nos anos anteriores, o tráfego no José Menino, mais especificamente naquele local, se tornou um pesadelo. O velho prédio ficava justamente no meio do caminho, que ganhou o apelido de “Garganta do Diabo”. Assim, justificando a necessidade da construção da segunda pista, além de obras de urbanização, o tradicional hotel fora condenado à morte, junto com outras diversas casas de pescadores.


Postal do acervo de José Carlos Silvares

História
O Hotel Internacional foi construído em 1894, obra de Estanislau Amaral. Seu primeiro nome, contudo, fora Grande Hotel do José Menino. Sua localização, junto à praia, em frente à Ilha de Urubuqueçaba, chamava a atenção, assim como seu glamour e requinte. Era um projeto de luxo, com duas fachadas: Uma para a linha do bonde e a outra para o mar. O prédio era isolado e rodeado de jardins. Oferecia aos seus hóspedes, muitos deles membros da elite paulistana, salas de música, de leitura, de conversação, de bilhar, fumoir e o boudoir das damas. Junto ao edifício havia ainda pista de patinação e cabines para alugar calções (isso mesmo! E naquela época os calções eram enormes!). O hotel santista seguia, enfim, os padrões europeus de estações balneárias marítimas, como Brighton e Bath. Era superchique.

Em 1906 o hotel fora vendido a Elisa Poli e passou a se chamar Grande Hotel Internacional, iniciando-se um período de festas e concertos.

Por alguns anos ocupou o papel de hotel mais charmoso da cidade, até ser trocado pelo Parque Balneário, que fora inaugurado em 1914. As atividades do Hotel Internacional pararam em 1956, justamente quando foi desapropriado pelo município, para sua demolição.


Postal do acervo de José Carlos Silvares