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Felipe Puppo
Após 71 anos de fundação, o Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS) aposta em novos projetos para sair da crise. Abandonado pela sociedade, o equipamento esteve próximo de amargar a falência. Sem investimentos, parte do acervo passou por um processo de sucateamento. Inúmeros santistas que transitam pela Avenida Conselheiro Nébias talvez nem percebam que o casarão de número 608, sede do instituto, poderia ter fechado as portas repentinamente. Atualmente, o local apresenta problemas de infiltração, parte da estrutura se encontra danificada e os livros estão empilhados um por cima do outro, por falta de espaço. A "herança maldita" deixada por administrações do passado praticamente colocou um ponto final na trajetória marcante do instituto. Isso porque a nova administração decidiu realizar um "choque de gestão" para mudar essa realidade. Em primeiro lugar mudou o estatuto. Para se adequar às normas do Código Civil de 2001, o IHGS deixou de ser um instituto para se tornar uma associação. Apesar de o nome permanecer o mesmo, a figura jurídica do instituto foi extinta. "Com essa alteração, é possível buscar parcerias e atrair investimentos, porque as empresas que patrocinam obras ou projetos culturais exigem que os estatutos das entidades estejam devidamente regularizados com as novas regras. Essa parceria envolve a recuperação, restauração, catalogação e aquisição de equipamentos", destaca o presidente do IHGS, Paulo Gonzalez Monteiro.

Quem visita o instituto sabe que o local é uma fonte inesgotável de riqueza histórica e cultural. O acervo do equipamento é composto por 10 mil obras. Entre elas, os clássicos da literatura nacional. O local também é um celeiro de raridades. Em uma sala do instituto o visitante tem a oportunidade de conferir a escrivaninha que pertenceu ao ex-presidente Prudente Moraes e uma cópia do papel em que Osório Duque Estrada escreveu o original do Hino Nacional.
Outro ponto que chama a atenção é o "Museu dos Combatentes de 32". A sala conta com artesanato, réplicas, armas e uma série de equipamentos arqueológicos. A dimensão da riqueza impressiona, assim como impressiona o descaso da sociedade nas últimas décadas. O casarão é uma espécie de templo sagrado da história da cidade. Com 120 anos de existência, é o mais antigo da Avenida Conselheiro Nébias. O local foi tombado pelo patrimônio histórico Condepasa em 2005. "Temos a proposta de construir um edifício anexo, atrás do casarão, para criar uma biblioteca, construir um auditório e um salão de festa", declara.

Por mês, o IGHS recebe da Prefeitura cerca de R$ 3 mil. Esse recurso é fundamental para garantir a manutenção dos trabalhos, mas ainda é insuficiente para viabilizar o projeto de restauração. "Quando eu fui eleito, há um ano e sete meses, as pessoas me diziam que não frequentavam o local porque ele estava fechado. Infelizmente o instituto foi se isolando com o tempo. A nossa meta é promover a aproximação", afirma Monteiro, de 37 anos, o presidente mais jovem da história do IHGS.
Mas, para que esta proposta não fique apenas no papel, o IHGS lançou o "Programa Almanaque Santista", um projeto inovador que visa buscar o ressurgimento da entidade. A administração pretende atrair o apoio de todos os segmentos da sociedade e viabilizar projetos culturais. Outro ponto importante é a digitalização do acervo, para consultas públicas. O instituto vai produzir ainda boletins mensais e uma revista trimestral para divulgar os trabalhos. "Vamos começar uma nova fase. O instituto foi esquecido pela sociedade porque não se modernizou. Deixou de ser um instituto para virar um clube social. Esse novo projeto é o primeiro passo para que a entidade possa dar a volta por cima", comenta.
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