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CADEIRA 96

Carlos R. Justiniano das Chagas
(Oliveira-MG, 9/07/1879 -
Rio de Janeiro, 8/11/1934)

"O Brasil é ainda um imenso hospital", exclamava o médico brasileiro Miguel Pereira, tamanha a proliferação de doenças infecciosas no país, no início do século.

Em meio a esse cenário, que se unia à pobreza e às condições precárias para a pesquisa de campo, em 1909, Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas apresentou à comunidade científica e médica do Brasil uma importante descoberta: o ciclo da transmissão da doença de Chagas.

O médico já havia se destacado à frente da campanha que erradicou a epidemia de malária em Santos, São Paulo, e durante a qual formulou sua teoria domiciliar da transmissão da doença (1905): combater o mosquito transmissor por meio da queima de piretro, um produto sulfúreo.

Chagas estudou Medicina no Rio de Janeiro, concluindo o curso em 1903. Pouco antes de se tornar doutor, ingressou no Instituto Oswaldo Cruz (1903), que viria a chefiar (1917-1934). Como chefe da comissão de estudos para a prevenção da malária em Minas Gerais (1907), foi chamado para combater a doença no vilarejo de Lassance, no sertão mineiro, que aparentemente impedia o prosseguimento da estrada de ferro Central do Brasil, matando inúmeros funcionários.

No entanto, Chagas deparou-se com uma endemia de causas desconhecidas. Ao descobrir um inseto alojado na fresta da parede de pau-a-pique, foi estudá-lo em seu laboratório, que não passava de uma parte de seu quarto de dormir, no vagão de estrada. Fez então sua grande descoberta: conheceu o vetor, o protozoário agente causador da doença, os seus depositários e, por fim, uma série de sintomas associados à infecção humana.

O vetor recebeu o nome de Trypanosoma cruzi e a doença de Mal de Chagas. Membro titular da Academia Nacional de Medicina (1910-1912), realizou viagens pela Amazônia, levantando inquéritos epidemiológicos da região, e combateu a epidemia de gripe espanhola no Rio de Janeiro (1918).

Nomeado diretor de Saúde Pública (1919), aperfeiçoou e modernizou os serviços sanitários do Rio de Janeiro. Recebeu o título de professor honoris causa das universidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Harvad. Pertenceu às academias de Medicina de Nova York, Paris e Lima.