O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SANTOS PROMOVE ENCONTRO CASUAL DE FATOS HISTÓRICOS
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Professor Aldo João Alberto
aldojoao@fei.edu.br
Membro da Associação dos Combatentes de 1932 de Santos e do Instituto Histórico Geográfico de Santos. |
Durante a revolução constitucionalista de 1932, houve um dos primeiros combates aeronavais do Brasil, que ocorreu na baixada Santista, mais precisamente na praia das Pitangueiras no Guarujá.
Por volta das 9:00 horas da manhã do dia 26 de julho de 1932 saíram do Campo de Marte em São Paulo, três aviões, sendo dois Curtiss Falcon denominados “Kavuré-Y”e “Kyri-Kyri” e o terceiro um Waco CSO chamado de Waco verde com a missão de bombardear os navios do Governo Federal que bloqueavam a entrada do porto de Santos, impedindo que navios abastecessem o Estado de São Paulo,principalmente com armas e munições.
A flotilha de bloqueio (a flotilha mais próxima da ilha da Moela) era formada por 3 contratorpedeiros e pelo cruzador Rio Grande do Sul (de 3000 toneladas de deslocamento, 25 nós de velocidade,com 10 canhões cal 120 mm, 6 canhões cal 47 mm , 2 tubos de torpedo 18” e 2 metralhadora Hotchkiss cal. 13,2 mm para emprego anti-aéreo, que vieram do submarino Humaita) ficavam atrás da ilha da Moela para fugir do alcance dos tiros de canhões Schneider Canet 150 mm da Fortaleza do Itaipu.
Em um dos 3 aviões Curtiss D-12 Falcon:Biplano de ataque e observação, com motor Curtiss V- 1150-5 de 435 HP, podendo alcançar uma velocidade máxima de 225 Km/h e autonomia de 1000Km com 4 metralhadoras.30 e capacidade de 90 Kg de bombas,(Kavuré-Y) estava o jovem piloto José Angelo Gomes Ribeiro, natural do Rio de Janeiro filho de um dos comandantes das tropas do Governo Federal que combatia contra São Paulo, o outro tripulante como atirador era o também jovem Mário Machado Bittencourt, também do Rio de Janeiro, neto do ex ministro da guerra ,Marechal Bittencourt, que morreu durante o atentado ao presidente da república Prudente de Moraes Barros ( lembrando que Prudente de Moraes casou-se com uma Santista em 1866 na Matriz de Santos).
Ao avistarem o cruzador Rio Grande do Sul foi empreendido um ataque com o lançamento de uma bomba que atingiu a proa do navio sem muitos danos à belonave. Ao se preparar para o 2º ataque, o avião caiu no mar, abatido por tiros, ou por pane no motor, conforme relataram os paulistas.
O interessante nessa história é o desenrolar dos fatos, ou seja, os corpos do piloto e atirador não foram encontrados. Com o final da revolução o pai do jovem Bittencourt retirou do fundo do mar o avião com o intuito de achar os restos mortais dos tripulantes. Como não os encontrou, ele levou o avião para o Rio de Janeiro e enterrou-o no quintal da sua mansão como se ali estivesse enterrando simbolicamente o seu filho.
Como obra do destino, no dia 22 de outubro de 2008 , houve no Instituto Histórico Geográfico de Santos uma palestra “ Reflexos na Criação da Marinha do Brasil”em homenagem aos 200 anos da abertura dos Portos, proferida pelo Capitão-de-Fragata Ricardo Barbosa de Barros , que no final comentou que seu avô, marinheiro do cruzador Rio Grande do Sul abateu um avião Paulista durante a revolução de 1932.
Era o SubOficial (artilheiro) Othon Barbosa de Barros, que cumprindo o seu dever, para salvar a vida de seus companheiros e a belonave que servia, mesmo sem ordem do seu comandante tomou uma das metralhadoras do convés e derrubou um dos aviões que os ameaçavam e obrigou a empreender fuga os outros, Pela atitude heróica , o marinheiro Barros recebeu elogio do Ministro da Marinha ( AV. Nº2581 de 7-10-932 boletim de nº 41 de 13-10-932, letra U)
Graças ao IHGS, que promove palestras e encontros, pudemos resgatar o outro lado da história e ampliar o conhecimento dos fatos.Houve uma troca de cópias de documentos contando e confirmando o ocorrido para deixar registrado na Associação dos Combatentes de 1932 Santos cuja sede fica em uma das salas do IHGS.
Fonte de consulta
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RODRIGUES, Lysias.Gaviões de Penacho.
2ª. Ed. Rio de Janeiro: INCAER, 2000
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HISTÓRIA NAVAL BRASILEIRA. Rio de Janeiro
SDGM, 1985. V 5.
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Jornal “A TRIBUNA” 27 de julho de 1932
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Jornal “A TRIBUNA” 30 de setembro de 1984
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Jornal “A TRIBUNA” 02 de outubro de 1984
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Jornal “A GAZETA” 27 de julho de 1932
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Revista “Santos Sub-atividades Subaquáticas” Em busca do Kavuré-Y,Gilmar D. Oliveira
1ª. Parte setembro de 1984
2ª. Parte Nov./ dezembro de 1984
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Revista AEROMAGAZINE nº 132 Ano 11
Maio de 2005
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Revista Tecnologia & Defesa, nº. 118

Professor Aldo com o Capitão-de-Mar-e-Guerra Ricardo B. de Barros
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